Veja algumas causas que podem causar desconforto ao urinar
1. Obesidade
O vínculo é indireto, mas existe. Acompanhe o raciocínio: quem está
muito acima do peso costuma exibir dobrinhas em várias partes do corpo. A
característica muitas vezes dificulta a perfeita higiene da região
genital após urinar e cria o cenário perfeito para as bactérias fazerem a
festa. Mas atenção: a limpeza em excesso também não é boa. "Isso altera
a flora vaginal, resultando em uma expulsão de bactérias protetoras
dali", esclarece Wladimir Alfer Júnior, urologista do Hospital Israelita
Albert Einstein, na capital paulista. A recomendação é evitar duchas
íntimas, sprays com aromas e outros itens capazes de desequilibrar a
flora.
2. Segurar o xixi
Não use banheiros públicos - está aí um conselho de mãe que se pode
ignorar, tomando os devidos cuidado com superfícies sujas, é claro. É
que xixi parado na bexiga por muito tempo cria o ambiente perfeito para a
proliferação de bactérias do mal. "Urinar funciona como uma lavagem
contínua", informa o ginecologista José Geraldo Lopes Ramos, professor
daUniversidade Federal do Rio Grande do Sul. Apesar de nada romântico, o
ato também é indicado logo depois da atividade sexual, quando podem
ocorrer microfissuras na região da uretra, facilitando a aderência de
micro-organismos. Com uma escapadinha ao banheiro, você expulsa os
pequenos invasores.
3. Diabete
Qualquer moléstia que comprometa as defesas do organismo, deixando-as
bem capengas, predispõe à infecção urinária. É o caso do diabete e
daaids. "Aí, nosso corpo não consegue se defender direito das
bactérias", justifica Rodolfo Borges dos Reis, presidente da Sociedade
Brasileira de Urologia (SBU), regional São Paulo. Certos medicamentos,
como aqueles indicados para quem convive com o lúpus, e a prática
excessiva de exercícios físicos também contribuem para a queda da
imunidade.
4. Constipação
Na famosa prisão de ventre, os problemas vão além do desconforto
abdominal. Pela anatomia feminina, as bactérias do trato
gastrointestinal, empacadas, têm facilidade em migrar para a uretra,
contaminando-a. "A culpada pela maioria dos episódios de cistite atende
pelo nome de Escherichia coli. Essa é uma bactéria que vive no
intestino, onde não cria problemas. Mas, quando passa para a área da
vagina, compete com micro-organismos que vivem naturalmente ali",
descreve Milton Skaff, daBeneficência Portuguesa. Daí, se a intrusa
domina o terreno, cresce o risco de infecção. "De fato, nas pacientes
constipadas detectamos uma maior colonização de micro-organismos do
intestino na região vaginal", confirma o especialista.
5. Camisinha
Calma! Não vá achando que nesse tópico você vai encontrar um sinal
verde para dispensar o preservativo durante o sexo. Jamais. O único
contratempo é que os espermicidas - substâncias responsáveis por matar
os espermatozoides - modificam a flora vaginal, deixando as mulheres
mais suscetíveis à ação maléfica das bactérias. A saída, então, é
procurar camisinhas sem o tal espermicida ou que tenha a substância na
parte interna, para o gel ficar em contato apenas com o pênis.
6. Cálculo renal
"Em certos casos, as pedras que se formam nos rins são ocasionadas por
uma bactéria que interfere na acidez da urina, facilitando o depósito de
sais", explica Fernando Almeida, chefe do Setor de Urologia Feminina
daUniversidade de São Paulo (Unifesp). O problema? O risco de esse
micróbio também financiar a temida cistite. "Há a possibilidade,
inclusive, de o cálculo renal culminar direto no tipo mais grave da
doença infecciosa, que é a pielonefrite", alerta Skaff. "Mas essa
relação entre pedra no rim einfecção urinária é exceção, não a regra",
afirma o médico da Unifesp. De qualquer forma, o recado é sempre
investigar. Assim, evita-se o uso constante de antibióticos e o
surgimento de um exército perigoso de bactérias resistentes.
As duas faces do problema
A cistite é o tipo mais frequente de infecção urinária. Ela atinge a
bexiga, e os sintomas incluem vontade de fazer xixi a todo momento, além
de ardência e sangramento ao urinar. Antibiótico, analgésico e
hidratação costumam dar conta do recado. A pielonefrite, por sua vez, é a
forma mais nefasta do quadro, pois a bactéria chega até os rins,
causando febre e mal-estar. O tratamento é mais prolongado e pode exigir
internação.
Aliados na farmácia
Vacina
Quem convive com a infecção urinária várias vezes ao ano pode recorrer a
uma vacina para melhorar as defesas do corpo. Ela é um pouco diferente,
para começar pela forma - ora, trata-se de um comprimido. Tem outro
detalhe: esse tratamento é indicado só para as mulheres atormentadas
pela bactéria Escherichia coli, responsável por 85% dos episódios de
cistite.
Antibiótico preventivo
Outro recurso capaz de reduzir as recorrências infecciosas é o uso
profilático de antibióticos. Na prática, a paciente recebe doses baixas
do medicamento - geralmente um quarto da quantidade utilizada
normalmente - por cerca de seis meses. Nesse meio-tempo, é possível que
as bactérias provoquem novas infecções, porém o risco é menor. Para
definir o melhor caminho e afastar a complicação, conte com
acompanhamento médico.






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