Castanhas para blindar o peito


image-252


Nozes, avelãs, amêndoas e as brasileiríssimas castanhas de caju e do Pará fazem parte de um grupo conhecido pelos especialistas como oleaginosas. O nome entrega as generosas porções de óleos guardadas nessas delícias. Elas concentram tanto as gorduras monoinsaturadas, quanto as poli-insaturadas, ambas famosas por atuarem no equilíbrio das taxas de colesterol e consideradas verdadeiras protetoras do coração. Não bastasse, trazem ainda outros ingredientes benéficos, caso da vitamina E e do selênio, dois potentes antioxidantes, que dão um chega-pra-lá nos radicais livres e, assim, resguardam o estado das artérias.

Confira, a seguir, três receitas nutritivas e saborosas que contêm as tais oleaginosas.
Bom apetite!

1. Salada marroquina
Rende 6 porções

Ingredientes
6 laranjas
1/2 xícara de nozes moídas
1/2 xícara de amêndoas torradas, descascadas e moídas
1 alface-americana picada
6 rabanetes cortados em tiras bem finas
2 colheres de chá de canela
1 pitada de sal
1 pitada de pimenta-do-reino
2 colheres de Sopa de vinagre
1/2 xícara de chá preto

Modo de preparo
Descasque as laranjas, retirando inclusive a parte branca. Corte-as em gomos. Espalhe a alface picada sobre uma travessa, cobrindo-a com as laranjas. Polvilhe com as nozes e as amêndoas misturadas. Numa xícara, misture o vinagre, a canela, o chá, o sal e a pimenta-do-reino. Salpique a salada com metade desse molho. Então, espalhe as fatias de rabanete, derramando o restante do molho por cima.

2. Pão de Quinua com Castanha
Rende 4 unidades

Ingredientes
· Massa
250 g de farinha de trigo
100 g de farinha integral
80 g de flocos de milho
40 g de quinua real em grãos
20 g de açúcar
10 g de sal
300 ml de água
40 g de margarina light
40 g de fermento biológico fresco
100 g de castanha-do-pará laminada
· Cobertura
Castanha-do-pará laminada

Modo de Preparo
Misture os ingredientes secos, adicione 100 ml de água e depois a margarina. Bata a massa e adicione o restante da água aos poucos. Quando formar uma mistura bem homogênea, coloque o fermento e continue batendo. Retire da batedeira depois que a massa estiver macia e lisa. Junte a castanha e divida em 4 partes com 200 gramas cada uma. Boleie as partes e deixe descansar por 20 minutos. Abra a massa em uma mesa untada com óleo e enrole como um rocambole. Passe um pincel úmido e coloque a castanha por cima. Deixe descansar até dobrar de volume e leve para assar em forno prequecido a 180 °C por cerca de 40 minutos.

3. Shiitake com creme de castanha de caju e cenoura
Rende 10 porções

Ingredientes
2 xícaras de castanha de caju
2 cenouras picadas grosseiramente
1 xícara de óleo de linhaça (ou de girassol, de gergelim ou de castanha-do-pará)
1 xícara de água mineral
1/2 pimenta dedo-de-moça
2 dentes de alho (ou um talo de alho-poró)
10 shiitakes orgânicos sem o cabinho

Modo de preparo
No liquidificador, bata todos os ingredientes, exceto o shiitake, até obter um creme. Sirva por cima do cogumelo inteiro, como se ele fosse uma torrada.

Cuidado! Energético em excesso faz mal para a saúde

Lotado de cafeína, o energético não é inócuo como parece. Em excesso, ele faz mal para o coração, provoca gastrite e danifica os dentes.


"Nos energéticos, a quantidade de cafeína varia de 80 a 500 miligramas", alerta a cardiologista Luciana Janot Matos
Como o desejo de que o dia tenha bem mais de 24 horas não passará disso, ou seja, de um desejo, as pessoas vivem procurando maneiras de fazer o tempo disponível render. Uma delas é mandar energéticos goela abaixo para ficar a mil. O indício de que se trata de um comportamento cada vez mais corriqueiro vem do Serviço de Administração em Abuso de Substâncias e Saúde Mental, nos Estados Unidos. Em um documento recente, o órgão revela que, entre 2007 e 2011, aumentou em 279% o número de indivíduos acima de 40 anos visitando o pronto-socorro após a ingestão da bebida. Prova de que não são apenas os jovens baladeiros que se entopem de latinhas.

Outro dado intrigante: em 2011, quase 60% desses atendimentos emergenciais estavam associados somente ao uso dos energéticos - isto é, não havia álcool ou drogas na jogada. A situação americana está longe de surpreender especialistas brasileiros. Afinal, essa parece ser uma realidade também por aqui. "Devido à rotina atribulada, muita gente já acorda cansada", nota o cardiologista Daniel Pellegrino dos Santos, do Hospital do Coração, na capital paulista.

Daí, às vezes só com a ajuda da bendita cafeína, principal composto das bebidas estimulantes, para aguentar o tranco. Só que existe um limite para seu consumo. "Adultos, por exemplo, podem ingerir no máximo 2,5 miligramas de cafeína por quilo de peso", informa Santos. Isso significa que uma mulher de 60 quilos precisaria parar nos 150 miligramas. "Acontece que, nos energéticos, a quantidade de cafeína varia de 80 até 500 miligramas", avisa a cardiologista Luciana Janot Matos, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.


Coração em risco

E o excesso cobra seu preço. Quem paga mais caro, geralmente, é o coração. "A cafeína instiga o sistema nervoso simpático a liberar hormônios estimulantes, como adrenalina e noradrenalina", explica a médica. Algo preocupante, pois essa dupla propicia o aumento da frequência cardíaca e o estreitamento dos vasos sanguíneos, fazendo a pressão decolar. Em sujeitos com problemas prévios nas artérias - muitas vezes silenciosos -, o efeito eventualmente serve como estopim para um infarto ou derrame.

Esses hormônios excitantes ainda são capazes de fazer o coração bater em ritmo pra lá de apressado, quadro conhecido como arritmia. "Quando há um histórico de doença cardíaca, a aceleração pode ser fatal", avisa Daniel Daher, presidente do Grupo de Estudos em Cardiologia do Esporte da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

O fato de seu coração estar aparentemente livre de enroscos não serve de argumento para abusar das latinhas. Especialmente para quem já atingiu os 40 anos de idade. "Com o passar do tempo, sobe a probabilidade de a pessoa ter sido exposta a fatores de risco como pressão alta, obesidade, tabagismo, dieta inadequada, entre outros", lembra Daher. Os energéticos seriam, então, um ingrediente extra na equação bombástica. Fora que uma parcela daqueles que à primeira vista esbanjam saúde - são magros, comem direito e fazem exercícios - possuem um risco aumentado de males cardíacos por causa da herança genética. Mais um motivo para espiar o rótulo e evitar se entupir de cafeína.


Bebida ácida

A recomendação vale por outras razões, como barrar a gastrite. Isso porque tanto a cafeína como os hormônios excitantes despejados na corrente sanguínea contribuem para a maior produção de ácidos que irritam a mucosa do estômago, o que explica a sensação de queimação. O estado de agitação ainda favorece a ocorrência de tremores involuntários pelo corpo todo, inclusive nas pálpebras. Para piorar, no dia seguinte a tendência é sentir uma espécie de ressaca, com sonolência e tudo mais. "Aí, crescem as chances de lançar mão da bebida novamente", raciocina o cardiologista Rui Póvoa, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Se as consequências da falta de comedimento já são temerosas nos adultos, imagine em crianças e adolescentes. "Eles são mais suscetíveis aos efeitos da cafeína. Sem contar que seu sistema cardiovascular está em formação", enfatiza a cardiologista Grace Bichara, do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo. As preocupações vão além: é comum que os energéticos sejam misturados a bebidas alcoólicas. Segundo levantamento do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas da Unifesp, dos mais de 50 mil jovens entrevistados em 2010, pelo menos 60,5% relataram já ter consumido alguma bebida alcoólica, sendo que 15,4% adicionaram o energético ao copo. "O perigo é que a mistura potencializa o efeito estimulante do álcool, motivando sua procura em outras ocasiões", alerta Sionaldo Ferreira, professor de educação física da instituição. Levantamentos também apontam que a coordenação motora e o tempo de reação são afetados, abrindo brecha para acidentes.


A cafeína não está sozinha

Embora a maioria das chateações decorrentes dos energéticos esteja relacionada à presença dessa substância, há prejuízos que se manifestam graças a outras características do líquido. Sua acidez é um exemplo, como registra um estudo da Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Nele, dentes bovinos, cuja composição é semelhante à dos nossos, foram imersos no líquido durante 15 minutos, quatro vezes ao dia, por cinco dias.

O resultado não foi nada positivo. "A bebida removeu o cálcio dos dentes e tornou a superfície do esmalte porosa", atesta Lídia Morales Justino, professora de odontologia e orientadora da pesquisa. "Isso cria condições para a deposição de corantes ali, culminando em mudança de cor", completa. Colocando tudo na balança - do coração ameaçado aos dentes manchados -, você há de convir que uma boa noite de sono ainda é a melhor pedida para repor as energias. Energético? Só de vez em quando e com moderação.


Gás natural

Falta disposição para trabalhar ou assistir às aulas da faculdade?  Antes de recorrer aos energéticos para encontrar o vigor perdido, que tal se questionar a quantas andam seu sono, sua dieta e a frequência na academia? É que os três fatores, quando levados a sério, fornecem a energia necessária para você aguentar o corre-corre. "Parece simples, mas a maioria das pessoas não dorme pelo menos oito horas diárias, tem uma alimentação desequilibrada ou não faz exercícios pelo menos quatro vezes por semana", lamenta o cardiologista Daniel Daher, da SBC.


OS EFEITOS DO EXCESSO DE ENERGÉTICO PELO CORPO 


Contrações musculares

A descarga de adrenalina e noradrenalina no organismo pode desencadear contrações involuntárias nos músculos.


Fasciculação

Os níveis elevados de hormônios estimulantes correndo pela circulação fazem as pálpebras tremerem.


Infarto e avc

As substâncias que conferem excitação também geram endurecimento das artérias. No cérebro, o aperto pode levar a um derrame. No coração, a um ataque cardíaco.


Erosão dentária

O pH baixo dos energéticos fomenta um desequilíbrio bucal. Assim, o cálcio sai dos dentes, alterando a superfície do esmalte.


Gastrite

Os hormônios liberados por causa da cafeína da bebida favorecem a produção de ácidos no estômago. Isso explica a possibilidade de queimação.



Fontes: Daniel Pellegrino dos Santos, cardiologista do Hospital do Coração; Luciana Janot Matos, cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein; Lídia Morales Justino, professora do curso de Odontologia da Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina

O que é que a mandioca tem: as vantagens do consumo da raiz

Barata, resistente, nutritiva e cheia de carboidratos especiais, ela foi eleita pela Organização das Nações Unidas o alimento do século 21. Conheça as vantagens dessa raiz que brota de norte a sul no Brasil

O alimento já foi chamado de "rainha do Brasil"
Na mesa do homem mais veloz do mundo não falta... mandioca. Ela é a principal fonte de energia do jamaicano Usain Bolt, segundo revelou seu pai durante as Olimpíadas de Pequim em 2008, após o filho bater o recorde mundial dos 100 metros rasos. E faz sentido: essa raiz tem dois tipos de carboidrato, a amilopectina e a amilose, que, juntos, liberam a glicose mais lentamente para o corpo. Isso facilita a digestão, evita picos de açúcar no sangue e dá gás de sobra para o dia a dia.

Mas não é preciso ser medalhista para tirar proveito do alimento que já foi batizado de a "rainha do Brasil". Tanto é que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) vem endossando sua produção e seu consumo mundo afora. A entidade quer acabar com o status de "comida de pobre" e utilizá-la inclusive para combater a fome.

Fonte de fibras e isenta de glúten - qualidade que a faz não pesar tanto na digestão -, a raiz carrega versatilidade no nome, nas condições de plantio e nas formas de preparo. Dependendo da região, é chamada de aipim, macaxeira, maniva, uaipi ou xagala. Não há tempo ou terra ruim pra ela. "A mandioca é um camelo vegetal", brinca o engenheiro agrônomo Joselito Motta, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, fazendo referência ao fato de que a planta cresce em solos pobres e resiste a períodos de seca. Ah, ela ainda é barata: custa em média 2 reais o quilo, 30% a menos que a batata.


Mandioca X batata

Por falar na sua rival, a mandioca leva certas vantagens. "Ela possui maior quantidade de vitaminas A, B1, B2 e C", diz a nutricionista Maria Carolina von Atzingen, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Fazendo justiça, porém, precisamos avisar que a abundância em energia traz um efeito colateral: 100 gramas de mandioca têm quase três vezes mais calorias que a mesma porção de batata - são 160 calorias contra 58.

Só que isso não deve assustar quem se preocupa com o peso. "A composição de carboidratos da raiz faz com que ela prolongue a saciedade", conta Rafaella Allevato, coordenadora do Serviço de Nutrição do Hospital San Paolo, na capital paulista. Não por menos, a mandioca costuma ter passe livre em dietas e é indicada a diabéticos. "Ao contrário de outras fontes de carboidrato, ela não gera picos de glicemia", diz Rafaella. Agora, note bem: justamente por ser um reduto desse nutriente, é prudente que ela não seja misturada nas refeições com outros depósitos de carboidrato, como arroz, macarrão...


Alegria dos celíacos

Por ser livre de glúten, a mandioca é queridinha de outra parcela da população, os portadores de doença celíaca - estima-se que sejam 2 milhões só no Brasil. Graças a seus derivados como a farinha e o polvilho, os celíacos conseguem ampliar o limitado cardápio de quem não pode ingerir a proteína que dá as caras no trigo, por exemplo. Segundo Ana Vládia Bandeira Moreira, professora de nutrição da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, o tubérculo ainda ajudaria a conter episódios de diarreia nessa turma. Aliás, a raiz é uma boa pedida diante de diversos problemas que atrapalham o ganho de nutrientes. Tudo por causa daquele lento processo de absorção dos carboidratos, que dá ao organismo mais tempo para assimilar outros compostos. Na hora de cozinhar a mandioca, uma dica: adicione um fio de óleo na água. "Isso auxilia na retenção das vitaminas", garante Ana Vládia.

Apesar de estar presente há cerca de 7 mil anos na Amazônia, a mandioca só ficou mais nutritiva nas últimas décadas. A variedade que hoje está presente na mesa do brasileiro, branca na feira e amarelada após o cozimento, tem dez vezes mais vitamina A que a cultivada no tempo do descobrimento. Ela é resultado de um processo gradual de melhoramento genético, realizado pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e pela Embrapa, que cruzaram diferentes espécies até chegar a um tipo saudável e resistente a pragas. Agora, o IAC vai lançar uma nova variedade ainda mais vitaminada e rica em antioxidantes, substâncias que combatem o envelhecimento celular e reduzem o risco de doenças ligadas à idade, como o câncer. Segundo a pesquisadora do IAC Teresa Valle, a nova espécie terá 900 unidades internacionais (UI) de vitamina A, contra 220 UI da consumida atualmente, e deve chegar ao mercado em 2014. Pelo visto, se depender da mandioca, Usain Bolt vai quebrar recordes até ficar com os cabelos bem brancos.


Raiz histórica

O Brasil é a terra natal da mandioca. Do centro do país, o tubérculo se espalhou por mais de 100 nações desde a chegada dos portugueses. Sua importância era tanta nos tempos de colônia que o padre José de Anchieta a batizou como o "pão da terra". Citada na carta de Pero Vaz de Caminha, ela acabou adotada pelos lusitanos. "Não fosse sua presença, a ocupação das terras brasileiras teria sido mais difícil", diz Joselito Motta. Não à toa, o historiador Luís da Câmara Cascudo chamou a planta de a "rainha do Brasil."


Ao gosto do freguês

Cozida

O tempo no fogão costuma variar dependendo da colheita. Em geral, levam-se 15 minutos em fogo alto com água e um fio de óleo. O segredo para deixá-la macia é mantê-la imersa na água do cozimento até o momento de servir.


Sagu

As bolinhas são de fécula de mandioca. É um doce típico e onipresente nos restaurantes brasileiros, feito com vinho, cravo e açúcar. Recentemente, o sagu foi incorporado à alta gastronomia.


Polvilho

Prefira os tipos frescos, menos industrializados, que têm sabor mais marcante. O azedo é usado no pão de queijo e nos sequilhos. O doce é ingrediente da chipa, biscoito da culinária paraguaia.


Tapioca

Priorize a goma fresca para sentir mais o sabor. O importante no preparo é não dourar a tapioca: coloque na frigideira, vire-a e retire imediatamente. Sirva-a branquinha e, no recheio, use a imaginação.


Farinha

Entra na receita de massas e bolos e é a base da tradicional farofa, que vai bem com feijoada e carne de sol. Para prepará-la, é indispensável usar óleo ou manteiga. Então, cuidado com os excessos.


Frita

Eis a tentação dos botecos. Antes de fritar, é preciso cozinhar a mandioca e mantê-la imersa na água até o momento de cortar e levar à panela com óleo. Uma alternativa mais saudável são as fritadeiras elétricas à base de água.

Como sua saúde é afetada quando você viaja de avião

Você viaja pelos céus deitada na primeira classe ou apertadinha na econômica por mais de quatro horas? Veja como sua saúde é afetada pelo voo

A luz solar é fundamental para o ajuste do corpo depois do jet lag
Estômago e nariz

A baixíssima umidade do ar do avião pode secar suas vias respiratórias e a camada de muco protetora de suas narinas. Sem essa barreira, os germes têm mais facilidade de infectar as células do corpo. Seus melhores mecanismos de defesa são manter os dedos distantes dos olhos e do nariz e lavar a mão com frequência.
Tem de usar o banheiro? Lembre-se do norovírus, um dos principais agentes de intoxicação alimentar, que vive em banheiros, torneiras e maçanetas e até mesmo em bandejas. Para evitar vômito e diarreia, desinfete as mãos com álcool em gel após tocar uma superfície suspeita.


Sangue

A baixa pressão atmosférica da aeronave e sua própria inatividade física podem desferir um golpe duplo na diminuição da circulação sanguínea, abrindo a porta para a trombose venosa profunda - quando o sangue coagula e entope as veias. Mulheres que tomam anticoncepcional ou têm a doença no histórico familiar devem ficar atentas e se alongar ou caminhar por alguns minutos a cada hora.


Ouvido

Você pode sentir enjoo no estômago, mas o mal-estar começa de verdade em seus ouvidos. O centro de equilíbrio do organismo se desorienta quando há turbulência ou quando o que você vê (os bancos imóveis) não coincide com o que você sente (movimento do voo). Sua melhor prevenção é reservar um assento sobre as asas, o local mais estável do avião.


Células

Os gases da atmosfera terrestre se dissipam acima de 30 mil pés, de modo que quem voa recebe níveis elevados de radiação cósmica. Para ter uma ideia, três voos mensais de Florianópolis a Manaus expõem você a uma radiação equivalente à de três radiografias de tórax. O excesso de exposição causa alterações celulares e é preocupante somente para os tripulantes do voo - especialmente as grávidas - e viajantes assíduos.


Sono

Se você trocar de fuso horário rapidamente, bagunçará o ritmo circadiano - período de 24 horas no qual se baseia o ciclo biológico. Resultado: jet lag. A luz solar é fundamental para ajudar o cérebro e o corpo a se ajustar. Se você viajar para o leste, evite a luz da manhã e tente pegar um sol na parte da tarde. Caso rume a oeste, tome o máximo de sol que conseguir antes de anoitecer.
 

Leite funcional: a bebida é enriquecida para prevenir doenças

Para ficar ainda mais nutritivo, o leite funcional é enriquecido com selênio, vitamina E e ácidos graxos poli-insaturados

Crianças que tomaram a bebida apresentaram maior taxa de selênio e vitamina E nos exames

O curioso é que a força extra vai parar no leite bebida graças a uma dieta especial oferecida à vaca. "Utilizamos o próprio organismo do animal para incrementar o leite", conta Hélio Vannucchi, coordenador do projeto desenvolvido na Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, em parceria com a Universidade de São Paulo. O líquido enriquecido foi oferecido a 90 crianças, por três meses. Observou-se, em exames, que os pequenos apresentaram uma maior quantidade de selênio e vitamina E, nutrientes que desaceleram o envelhecimento das células. Além disso, os ácidos graxos poli-insaturados incluídos ajudam a aumentar as taxas de HDL, o colesterol bom, e diminuir as de LDL, a versão ruim. Uma segunda etapa do estudo verificará os benefícios aos idosos. "Seria uma forma de prevenir doenças e carências nutricionais", diz a nutricionista e pesquisadora Karina Pfrimer. O sabor e a textura permanecem os mesmos do leite original, e o intuito é comercializar as garrafinhas em larga escala.

Sabia que compulsão por comida é doença?

Veja o depoimento da jornalista que descobriu que comer sem controle é compulsão por comida, um tipo de doença. E lá foi ela descobrir qual era o tratamento

Estima-se que 1,5% das população sofra de transtorno da compulsão alimentar periódica
No começo do ano, acordei uma madrugada com dores fortes no estômago que se espalhavam por todo o tórax e abdômen. "Estou morrendo!", pensei. Igual ao meu pai, que, ainda jovem, acordou com um infarto fulminante. Fui para o hospital de ambulância. E descobri que a causa do meu mal-estar era bem simples: eu comi demais. Pelo que me lembro, foram uma bandeja de comida japonesa, um pastel frito, um brigadeirão, um quindim, três pedaços de pizza, mais de 1 litro e meio de Coca-Cola... Em duas horas! Tinha ido dormir com ânsia de vômito, como em tantas vezes. Mas dessa vez a vergonha de estar no hospital por não saber a hora de parar me fez refletir que algo não ia bem. Pesquisando, descobri que esses ataques de comer sem controle têm um nome. O transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) é uma doença que só neste ano foi catalogada de forma definitiva pela Associação Psiquiátrica Americana. A pessoa com TCAP come um volume de comida absurdo em um curto intervalo de tempo, ao menos duas vezes por semana. Estima-se que 1,5% da população sofra disso, e os sintomas surgem geralmente entre os 20 e os 30 anos. "São os anos em que estamos expostos a situações mais estressantes se comparados a outras épocas da vida, como formatura, busca pelo mercado de trabalho, casamentos, filhos...", diz o psiquiatra Alexandre Pinto de Azevedo, coordenador do Grupo de Estudos em Comer Compulsivo e Obesidade (Grecco). "O estresse, em uma pessoa geneticamente predisposta, é um possível gatilho dos sintomas." Além da herança genética, também podem estar relacionados à causa do TCAP a alimentação da mãe quando grávida, hábitos alimentares da família e outras doenças psicológicas, como transtorno bipolar e depressão. As consequências do comer compulsivo são baixa autoestima (você sente nojo de si mesma), problemas gástricos, alterações nos níveis de glicose e colesterol e, obviamente, obesidade. Fiz dieta achando que assim me curaria, mas fracassei. E descobri que perder peso é só uma consequência de uma série de mudanças que um compulsivo precisa enfrentar.


Malhação

Minha primeira tentativa foi me exercitar. Passei a nadar todo dia. E aí minha voracidade triplicou! Malhar faz bem, sim, para compulsivos. Mas tem que começar devagar. "O problema é que eles costumam ver a vida na base do `tudo ou nada’", me disse a psiquiatra Mireille Coelho, do Programa de Atenção aos Transtornos Alimentares da Unifesp. E aí exageram na dose.


Dieta restritiva

A atitude mais desastrosa que uma compulsiva pode tomar para se controlar é fazer uma dieta restritiva. Eu tentei seguir a dieta Dukan com o meu namorado. Ele emagreceu 10 kg e eu perdi 3 e engordei 4. Ele não é compulsivo e achou fácil deixar de comer várias coisas. Eu só pensava obsessivamente em devorar tudo o que era proibido. E devorei!


Ajuda médica

Fiz uma consulta com o endocrinologista Alfredo Halpern. Ele me animou ("Com o tratamento, as pessoas ficam mais felizes e emagrecem") e me desanimou ("Não tem cura, precisa estar sempre atenta"). Mas foi o caminho certo: o diagnóstico e o tratamento do TCAP devem ser feitos por um endocrinologista ou um psiquiatra, e não por um nutricionista.



Observe seus hábitos para se controlar


Diário da compulsão

O primeiro passo do tratamento é descrever tudo o que se come, os horários, os sentimentos antes e depois de comer e a situação em que comeu (à mesa, em pé, no computador...) e se foi por compulsão ou não. Sim, é chato! Mas é a técnica mais eficiente. Na primeira semana, nunca conseguia anotar tudo. Se comia um chocolate, deixava pra começar de novo no dia seguinte. Mas depois que engatei descobri muita coisa. Por exemplo: tenho vontade de comer compulsivamente não só quando estou ansiosa mas também quando me sinto entediada ou quando estou muito feliz. Em três semanas anotando, tive apenas uma crise de compulsão.


Pontos de fuga

O gatilho de um episódio de comer compulsivo é semelhante ao do alcoólatra quando tem uma recaída. "Você sabe que aquilo vai te arrebentar, mas naquele instante acredita que vale a pena e faz," diz Alfredo Halpern. Depois, se arrepende e sofre. Para se controlar, é preciso identificar a aproximação desse "espírito do descontrole". E encontrar algo prazeroso que ajude a fugir dele. Nessa hora, ver um filme, ler um livro ou ouvir músicas animadas têm me ajudado muito.


Tudo na sua hora

"Meu amor, não coma Doritos no café da manhã." É assim que meu namorado se despede de mim antes de viajar. Ele sabe intuitivamente que essa é uma das regras pra começar a disciplinar um compulsivo (sem reprimi-lo com restrições severas): definir um horário pra cada alimento. Ou seja, você não está proibida de comer nada, desde que seja na hora certa. Acordou e viu que tem pizza na geladeira? Nem ouse! Quando voltar pra casa, você pode comê-la no jantar. Jantou e ainda está com fome? Pode repetir. Mas não vá encher uma tigela de sucrilhos com leite, pois isso é do café da manhã. Internalizar essa regra melhorou um pouco minha alimentação.


Alguém vai ter que ceder

Para aprender a se controlar, tenha um pouco (bem pouco!) do alimento que desperta mais a sua compulsão, mas que você não quer deixar de comer. A advogada Fernanda Scaletscky, 26 anos, que eu conheci no Vigilantes do Peso, já comeu 16 bombons seguidos. Atualmente ela come um por dia e compra só dois ou três de cada vez. "Claro que não vou comprar uma barra. Porque depois de abrir vai ser impossível não comer tudo", disse. Também quero um dia conseguir ter esse autocontrole. Por enquanto, ainda não consegui.


Menos e com mais calma

Comer devagar e deixar sobrar são duas orientações importantes, mas dificílimas de serem seguidas por um compulsivo. Eu acabo de comer e as pessoas em volta ainda mal pegaram no garfo. Uma sugestão é tentar mentalizar uma música bem calma e mastigar no ritmo. Tentei e funciona. Mas deixar sobrar comida no prato, depois que estou saciada, é muito complicado. Acho que só conseguirei resolver isso com terapia. A solução recomendada pelo médico, por enquanto, é servir porções menores (ou até usar um prato menor).


Dieta que faz sentido

A dieta dos pontos (desenvolvida há mais de 40 anos por Alfredo Halpern) é uma das poucas que realmente ajudam o compulsivo a emagrecer. Quem entra nessa tem que anotar (e de preferência planejar) os pontos correspondentes ao que consome em cada refeição. E tem liberdade pra comer de tudo. Mas, de novo, haja anotação! Sabendo disso, decidi participar de reuniões do Vigilantes do Peso, que também usa os pontos como método. Sempre tive preconceito - achava que as pessoas ficavam bitoladas contando pontos. Mas os encontros semanais são divertidíssimos! Todo mundo faz piada sobre seu desejo de comer e sobre "aqueles magros que não ligam pra comida". Me senti em casa! "O Vigilantes pode ajudar um compulsivo a reeducar sua alimentação e manter a motivação durante o emagrecimento. Mas o diagnóstico de compulsão só pode ser feito por um médico", ressalta Michelle Bento, nutricionista do grupo.


Trabalho em grupo

Também fiz minha inscrição no Programa de Atenção aos Transtornos Alimentares (Proata) da Unifesp. Após preencher uma ficha, você passa por uma triagem que define o tipo de tratamento mais adequado - em grupo ou com psicoterapia individual (quando o paciente tem outras questões psicológicas relacionadas à sua compulsão). O contato do Proata é proata@psiquiatria.epm.br, (11) 5576-4990 (ramal 1338). O Instituto de Psiquiatria da USP tem o mesmo serviço grátis. No site do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares há uma lista de outras instituições da área.