Açaí, agora no combate ao câncer

O minúsculo fruto da Amazônia ganha cada vez mais crédito entre nutricionistas renomados. Novas pesquisas sinalizam que o açaí ajuda a prevenir contra o câncer e traz benefícios cardiovasculares.

Como o açaí já é muito calórico, fique atento aos acompanhamentos que você adiciona.
 
Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro descobriram que o açaí pode ser eficaz na prevenção do câncer de mama. Eles suspeitam que a substância responsável pelo feito é a antocianina, que dá a coloração roxa à fruta e também é encontrada na uva, mas em quantidades menores. Embora as pesquisas sejam promissoras, não é possível garantir com 100% de certeza a eficácia da fruta contra o câncer, já que ainda não foram realizados testes em humanos.
Outros benefícios do açaí, como a proteção cardiovascular, têm sido estudados por pesquisadores da Universidade Federal do Pará, que já comprovaram seu potencial antioxidante e anti-inflamatório. Essas características explicam por que o consumo da fruta pode proteger as artérias, aumentando os níveis de colesterol bom (HDL) e mantendo estáveis os níveis de colesterol ruim (LDL) no sangue.

Leia a íntegra da reportagem abaixo.
 

O investimento parece perfeito: em mínimos 2 centímetros de diâmetro, um exemplar de açaí já começa a oferecer lucros ao organismo. Se você apostar na tigela ou em um copo de suco, então... Não bastasse proteger as artérias e o cérebro de moléculas nocivas às células, cientistas estão confirmando agora seu papel na prevenção do câncer. É o caso de um trabalho da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, que despertou o interesse de especialistas no último Congresso Nacional da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição. Ele coloca em evidência o potencial das substâncias da fruta diante de tumores de mama, os mais comuns entre as mulheres.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores cariocas submeteram células cancerosas do tecido mamário feminino a um extrato feito do açaí. Os resultados foram bem positivos. "Houve uma redução na proliferação dessas células e um aumento na ocorrência da apoptose, a morte programada das unidades que formam o tumor", conta Anderson Teodoro, professor do Laboratório de Bioquímica Nutricional da universidade. Embora sua equipe ainda não tenha identificado com precisão quais as substâncias por trás do fenômeno, há uma suspeita de que a antocianina, responsável pela coloração roxa do açaí, se destaque.

"Esse tipo de antioxidante vem sendo associado a um menor risco de câncer e de doenças cardiovasculares", ressalta a nutricionista Renata Cintra, professora do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu, no interior de São Paulo. "A antocianina também está presente em outras frutas, como a uva, mas os teores no açaí são mais significativos", completa. Na ponta do lápis, o fruto do açaizeiro leva mesmo vantagem. "Um litro do suco possui 33 vezes mais antocianina que a mesma quantidade de vinho tinto", compara o cardiologista Eduardo Costa, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará.

Mas não é só esse pigmento que entra na jogada: experimentos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo coordenados pela professora Maricê Nogueira de Oliveira indicam que as propriedades anticâncer também são resultado dos ácidos graxos do fruto - caso do CLA, o ácido linoleico conjugado. Os testes foram feitos com uma mistura de açaí e iogurte dotado de probióticos. "Essa combinação apresentou maior teor de CLA", conta Maricê.

Antes de se jogar em um balde de açaí, cabe lembrar que a maior parte das pesquisas sobre seus efeitos contra o câncer foi feita em laboratório e carece de avaliação em seres humanos para confirmar 100% os resultados. Mas isso não tira o mérito do protagonista da reportagem, que, aliás, se gaba cada vez mais de sua capacidade anti-inflamatória. Essa ação recai em outro tipo de gordura abundante na tigela roxa, os ácidos graxos insaturados.

"O ácido oleico, o mesmo do azeite, tem um efeito positivo sobre as paredes das células, auxiliando a passagem dos lipídios através das membranas celulares", explica Mariana Simões Larraz Ferreira, professora da Escola de Nutrição da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Com as membranas flexíveis, os hormônios e seus receptores, por exemplo, funcionam de maneira mais adequada. "Isso ajuda a prevenir processos inflamatórios, que aceleram o próprio envelhecimento celular", esclarece. Há indícios de que, ao brecar inflamações, somamos pontos na blindagem contra o câncer. E também a favor do coração...

Investimento para os vasos

O potencial antioxidante e anti-inflamatório da frutinha é um dos fatores que ajudam a entender também seus benefícios cardiovasculares. SAÚDE obteve os dados de uma pesquisa da Universidade Federal do Pará, que mensurou essa habilidade de resguardar as artérias. Os cientistas acompanharam 346 homens acima dos 35 anos: desses, 277 tomavam suco de açaí todos os dias, enquanto os outros 69 não consumiam a bebida. No primeiro grupo, as taxas de HDL, o colesterol bom, foram muito maiores do que no segundo. Já o LDL, o tipo da gordura que desencadeia placas nos vasos, se manteve em níveis normais. Entre aqueles que não incluíram o açaí na dieta, o resultado foi o oposto.

O cardiologista Eduardo Costa, um dos autores, elucida: "Quando há lesões na parede interna das artérias, provocadas por tabagismo, hipertensão, entre outras causas, o LDL colesterol penetra na lesão e se oxida. A antocianina do açaí impediria essa oxidação, diminuindo o risco de problemas ali". Isso não significa que o alimento faz o milagre de compensar hábitos que comprometem a saúde. Mas, incluído dentro de uma rotina equilibrada, representa, sim, uma aplicação segura.

Claudine Feio, também cardiologista da Universidade Federal do Pará, engrossa o caldo em defesa do açaí. Só lembra que, por ele ser calórico, vale ficar atento aos acompanhamentos e usá-lo, se possível, após a atividade física. "Não é necessário adicionar granola, xarope de guaraná, muito menos açúcar", avisa Claudine. Feitas as ressalvas, está liberada a inclusão da fruta no seu cardápio. Ela vale, sim, o investimento.


Contraindicado?

O açaí não seria bem-vindo para quem já está em tratamento contra o câncer, sugere uma pesquisa feita com ratos pela professora Marília Seelaender, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo. "A quimio e a radioterapia fazem com que, entre outras coisas, o tumor seja reduzido por meio de um estresse oxidativo", explica Marília. E o açaí tem justamente um efeito antioxidante. Assim, poderia sabotar o plano terapêutico para exterminar as células cancerosas.

O que você encontra em 100 gramas de polpa de açaí

Energia (kcal) - 58

Proteínas (g) - 0,8

Lipídios (g) - 3,9

Gordura saturada (g) - 0,7

Gordura monoinsaturada (g) - 2

Gordura poli-insaturada (g) - 0,4

Carboidrato (g)- 6,2

Fibra (g) - 2,6

O quê, como e quanto?

Seus atributos

"O açaí tem em sua composição carboidratos, proteínas, fibras, cálcio, manganês, fósforo, magnésio, ferro, potássio, cobre, zinco e vitaminas B2 e B6", lista a nutricionista Tatiana Eto, de São Paulo.

No prato ou no copo

Prefira a maneira mais simples: na tigela ou no suco feito com polpa e água. "Ela ainda pode ser substituída pela água de coco", sugere Mariana Thomaz, nutricionista do Hospital Paulistano.

Na rotina

Para usufruir de todos os benefícios, é preciso criar o hábito de consumi-lo quase todos os dias. Experts indicam um copo de 200 ml do suco, por exemplo.

Tristeza no coração: você sabia que a depressão maltrata as artérias?

Pesquisa Sinta Seu Coração revela que as mulheres desconhecem essa perigosa relação


  O levantamento revela que 21% sentem ansiedade, 14% estão estressadas, 12% sentem fadiga e 6% vivem tristes. E o pior é que as mulheres ainda não perceberam a importância de zelar por suas emoções em prol da saúde do coração. Essa negligência é um perigo, afinal esses distúrbios psicológicos favorecem danos aos vasos. Estudos mostram que a depressão está por trás do aumento de substâncias inflamatórias na circulação. Tal mecanismo machuca o endotélio – a parede interna do vaso – e favorece a deposição de gordura, o que serve de gatilho para a formação da placa, isto é, da aterosclerose.
 Não bastasse a tendência à inflamação, quadros depressivos interferem com o sistema responsável pelo relaxamento e contração dos vasos e assim a hipertensão pode dar as caras.
Para piorar, as pacientes deprimidas não têm disposição para a prática de atividade física e não cuidam direito do próprio cardápio, o que é um prato cheio para desencadear problemas cardiovasculares
Diante de um quadro assustador como este, as sociedades médicas começaram a incluir em suas diretrizes propostas para rastrear a depressão nos consultórios, independente da especialidade.
De onde vem a tristeza sem fim?
A doença tem forte componente genético, mas existem alguns estopins capazes de facilitar seu surgimento, caso do luto, da ruína financeira ou da separação conjugal. Os hormônios também têm sua parcela de culpa e graças a eles, as mulheres têm o dobro do risco se comparadas aos homens.
Uma das maneiras de prevenir a angústia é procurar gerenciar o estresse e compartilhar as dificuldades do dia a dia. Sim, a turma do sexo feminino precisa aprender isso urgentemente. A pesquisa Sinta seu Coração mostra que 18% raramente dividem seus problemas com outras pessoas. Estimular a prática de atividade física é mais uma excelente estratégia fundamental na prevenção do problema.

Veja alguns dados da pesquisa:

Atualmente você diria que sempre...
 
 

Você acha que reconhece suas limitações, físicas ou psíquicas?
 

Sabe impor limites quando julga necessário?

Chega de beber água apenas quando a sede aparece

No calor, mais do que nunca, use e abuse do remédio mais fácil de encontrar - e que não tem contraindicação: a água.

A sede geralmente aparece quando você já perdeu 2% do seu peso total em água.

Você é o tipo de pessoa que só se hidrata quando a boca está seca? Pois este é o momento exato de rever sua atitude e passar a carregar garrafinhas para onde for. Não é à toa que a água é considerada a substância mais vital do nosso corpo. Uma quantidade adequada de H2O é a chave para manter sua digestão no caminho certo, as vias nasais úmidas e os rins dispostos. Ela também é essencial para melhorar o funcionamento dos seus principais órgãos, incluindo o cérebro. "Até mesmo quem quer ganhar massa muscular precisa consumir água durante a recuperação do músculo, que acontece em meio aquoso", diz Dafne Oliveira, nutricionista funcional do Instituto de Prevenção Personalizada, em São Paulo. Ah! E aquela queima de gordura que você tanto deseja também acontece em vias repletas de água.

Na estação mais quente do ano, o consumo de água se torna superimportante, uma vez que a transpiração é mais intensa por causa do calor. E ficar sob o sol, bronzeando-se, aumenta a perda de água. "Quando o corpo está desidratado, um dos primeiros locais de onde ele tira água é da epiderme", alerta Dafne. Então, beba água! Uma pele hidratada tem uma aparência mais saudável, macia, bonita e... conserva o efeito do bronzeado por mais tempo.

Corpo desidratado

A sede - um sinal claro de desidratação, uma vez que você não tenha comido um lanche salgado - geralmente aparece quando você perdeu apenas 2% do seu peso total de água.

Com essa carência, aparentemente minúscula, você já pode sofrer câimbras e dores de cabeça. Suas habilidades esportivas também podem falhar, já que os músculos precisam de um meio aquoso para se contrair. "E, como resultado desse estresse, seus batimentos cardíacos aceleram e a sensação de fadiga aparece", alerta o médico Lawrence L. Spriet, da Universidade de Guelph, em Ontário (Canadá).

Em pouco tempo...

... tudo começa a parecer mais difícil. Se você raramente se lembra de beber água durante o dia, cuidado: longos períodos com baixo consumo de água têm sido associados a problemas de saúde, como pedras nos rins e infecção urinária. Se você estiver grávida, também tem chance de prolongar o trabalho de parto.

Cérebro fraco

A falta de H2O pode, inclusive, afetar o cérebro de maneiras surpreendentes. Uma pesquisa sugere que uma desidratação leve - que pode não fazer você sentir sede - é capaz de interferir nas suas habilidades de concentração e aumentar o estresse e a ansiedade. Cientistas ainda estão investigando, mas há suspeitas de que a ausência de água afeta as células nervosas que controlam o humor.

É claro que ficar realmente desidratado é muito sério. "Se você perder de 5 a 6% do seu peso de água de uma só vez, pode sofrer sintomas como confusão mental e vômito", diz Stella L. Volpe, professora do departamento de nutrição da Universidade de Drexel, nos Estados Unidos. Esse tipo severo de desidratação - que usualmente afeta atletas e pessoas que vivem em temperaturas extremas - deveria ser considerado uma emergência primordial nos prontos-socorros.

Consumo inteligente

É frequente ouvir recomendações para "beber oito copos por dia". Porém isso pode não funcionar para todas as pessoas. Tudo depende do organismo e do estilo de vida de cada um. "As que nasceram em países frios precisam de mais água em regiões tropicais", explica Paulo Olzon, clínico geral e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Em geral, o Instituto de Medicina dos Estados Unidos recomenda que a maioria das mulheres tome, pelo menos, 3 litros de água por dia, embora isso inclua os fluidos ingeridos com a comida (um frango cozido, por exemplo, tem 20% da quantidade diária de água de que você necessita). "Costumo recomendar que as pessoas bebam um copo de água após ir ao banheiro", afirma Emmanuel Burdmann, nefrologista do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Água e atividade física

Já as atletas precisam de atenção redobrada. Exercícios físicos que envolvam grande perda de suor, como corrida, exigem a reposição de água e sais minerais, principalmente o sódio. Uma dica: pese-se antes e depois do exercício para saber a quantidade de água perdida durante a atividade. "Se a pessoa perde 600 g durante o treino, é preciso repor com 600 ml de água", exemplifica Dafne.
Mas não vale beber tudo de uma só vez. Hidrate-se devagar ao longo do dia. O corpo só consegue absorver cerca de 120 ml de uma vez. O restante é eliminado pelo rim.

Em caso de dúvida, pare e pergunte a você mesma: "Qual atividade vou fazer, por quanto tempo e em qual temperatura?" Se vai se jogar em uma atividade supertranspirante - como uma corrida longa ou uma partida de tênis -, faça intervalos para hidratar o corpo.

Você também pode controlar o consumo de água pelo xixi. "Se ele estiver amarelo bem clarinho, tudo bem. Qualquer escurecimento significa que você precisa se esforçar mais para se hidratar", explica Volpe.