Cuidar da higiene íntima é uma tarefa rotineira dominada por todas as mulheres. Certo? Errado. Novas pesquisas revelam que muitas precisam redobrar a atenção com a limpeza para evitar infecções, coceiras e odores desagradáveis
A higiene íntima deve ser feita de uma a
três vezes ao dia
Uma pesquisa
inédita sobre hábitos de higiene íntima entre universitárias, coordenada
pelo Departamento de Tocoginecologia da Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp), aponta muitos hábitos inadequados de higiene. O
estudo, realizado com 367 estudantes com idade média de 22 anos, mostra
que mais da metade (52,6%) das entrevistadas tomam um banho por dia e
apenas 11,5% têm o hábito de usar duchas higiênicas (não as que são
introduzidas na vagina). Somente 7,7% higienizam a genitália e a região
perianal com água corrente após urinar e 12,6% depois da evacuação.
Quase 90% das universitárias usam exclusivamente papel para higiene anal
e, dessas, 19,2% fazem a limpeza de trás para a frente - um erro grave,
já que o ânus é cheio de bactérias. No período menstrual, apenas 18%
aumentam a frequência do asseio e 39% referem ter corrimento vaginal
constantemente.
É por causa de erros como esses que muitas se
queixam de coceira, fissuras e secreções frequentes, o que leva a uma
doença. "As infecções mais comuns decorrentes da falta de higiene são a
tricomoníase, causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis; a
gardnerella, consequência da superpopulação de bactérias do tipo
Gardnerella vaginalis; e a candidíase, originada pelo fungo Candida
albicans", diz o ginecologista Paulo César Giraldo, professor da
Unicamp. Os sintomas são parecidos: corrimento de cor amarelada ou
esverdeada, odor desagradável, prurido, coceira e, às vezes, manchas
brancas nas paredes da vulva. Entenda o que mais você precisa saber.
Beabá
da limpezaA recomendação é que a higiene seja feita de
uma a três vezes ao dia; superior a três vezes no período menstrual;
sempre após a relação sexual e a atividade física, de preferência com
água e sabonete especial e usando só os dedos. Esponja, cotonete ou
qualquer outro apetrecho deve ser descartado, pois pode provocar
ferimentos. Os dedos oferecem maior mobilidade na hora da limpeza, o que
é importante para lavar o clitóris e retirar o esmegma, resíduo branco
formado por células epiteliais, óleo e gordura genital. Siga o passo a
passo:
1. Usando água corrente morna, sabonete
líquido específico e os dedos, lave a vulva (parte exterior do aparelho
genital feminino) e a região pubiana (dos pelos) com movimentos
delicados e circulares. Limpe também os sulcos interlabiais (entre os
pequenos e os grandes lábios) e o clitóris. Depois, com os dedos na
horizontal, a higiene deve ser feita da vagina para o ânus, para que não
haja contato do material retal com o genital.
2. Faça
a higienização por, no máximo, três minutos em cada área, evitando,
assim, que a região fique ressecada.
3. Enxágue
as áreas higienizadas com água.
4. Seque a
região com toalha macia para evitar a proliferação bacteriana, fúngica
ou viral.
Parceiro idealA vagina
possui uma proteção natural promovida por bactérias do grupo
Lactobacillus casei, que formam a chamada flora vaginal. Elas deixam o
pH local ácido, evitando a proliferação de fungos e bactérias.
Entretanto, os lactobacilos não garantem uma proteção 100% eficaz, por
isso é necessária uma boa limpeza. Mas higiene íntima não significa
higiene interna. Ela deve se concentrar na região da vulva, sem ser
direcionada para a vagina. O nível de acidez pode ser comprometido pela
água e por sabonetes alcalinos, eliminando a proteção natural e
facilitando a proliferação de micro-organismos nocivos. "A higienização
deve ser feita com sabonetes íntimos que tragam ácido láctico e, assim,
mantêm o pH vaginal estável, prevenindo infecções", diz a ginecologista
Rosa Maria Neme, do Hospital Israelita Albert Einstein (SP).
Se a
rotina não permite o asseio constante e recomendado da área genital,
limpe-a com lenços umedecidos (sem perfume) para que restos de papel e
sujeira orgânica não se acumulem na vulva, causando irritação e coceira.
Mulher de fasesConfira como deve
ser o cuidado em cada etapa da vidaInfânciaA
recém-nascida apresenta pH da pele em torno de 6,0 (ácido), que
decresce até 4,5 por volta do quarto dia de vida. O uso de algumas
substâncias na pele pode alterar esse pH, tornando-o mais alcalino e
diminuindo a sua capacidade protetora.
O que fazer - Use sabonete
com pH levemente ácido (4,2 a 5,5), em todo o corpo na hora do banho e
após a evacuação. Seque sem fricção.
AdolescênciaO
organismo inicia a produção de estrogênio, elemento importante para o
desenvolvimento dos mecanismos de defesa genital. Um deles é o pH ácido,
que deve ser mantido em equilíbrio.
O que fazer - "Os cuidados
com a higiene íntima da adolescente são semelhantes aos da mulher
adulta. A jovem deve usar sabonetes íntimos adequados para regular o pH
da região", explica Paulo César Giraldo.
GravidezA
pele da vulva e a vagina sofrem influência dos hormônios produzidos,
com mudanças no pH e na flora vaginal.
O que fazer - Utilize
produtos hipoalergênicos e próprios para a higienização íntima.
MenopausaOcorre
diminuição na produção dos hormônios femininos, o que torna comuns
problemas como secura vaginal. Outra consequência é a redução dos
lactobacilos e do ácido láctico, levando a irritações. A menor
quantidade de hormônios e as mudanças próprias da fase tornam a pele da
vulva mais fina e ressecada.
O que fazer - A limpeza deve ser
mais delicada e é indispensável o uso de sabonete com pH levemente
ácido, no máximo duas vezes ao dia, para evitar maior ressecamento e
consequente prurido.