O sintoma mais comum é a dor nos dentes, na cabeça e na musculatura cervical
Foto: Getty Images
Você acha que ranger os dentes, o bruxismo, é um incômodo sem consequências? Continue lendo. Se você não sofre com o problema, deve conhecer alguém que sofra: a estimativa é de que cerca de 30% dos brasileiros sintam o perrengue na pele. "O bruxismo ocorre em todas as idades, sendo mais prevalente em mulheres adultas", diz Bruno Siqueira Bellini, cirurgião-dentista do Serviço de Odontologia Hospitalar do Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas (SP).
Apesar de não ter cura, pode ser controlado. Para isso, é importante conhecer as causas e os estragos que ele pode provocar.
Diagnóstico direto
Bruxismo é a contração anormal da musculatura mastigatória, ou seja, o hábito de ranger ou apertar os dentes.
Pode ocorrer durante o dia, mas é mais comum à noite. "Muitas vezes o parceiro que dorme ao lado é o primeiro a perceber o problema", diz o cirurgião-dentista Mario Groisman, membro da Academia Brasileira de Odontologia e da Academia Americana de Periodontia.
Mas o sintoma mais comum é a dor nos dentes, na cabeça, na musculatura cervical e até na região da orelha. E, como você deve imaginar, isso acaba com o humor e o sono de qualquer uma.
Procure um dentista, capaz de dar o diagnóstico correto, às vezes auxiliado por fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e até profissionais de educação física.
Sempre o estresse
O problema não tem uma única causa, mas pode ser desencadeado por muitos fatores. "Na lista dos possíveis, o estresse físico e emocional (ansiedade) desempenha papel preponderante", lembra Bellini.
Normalmente, o bruxismo também está relacionado a dentes ausentes ou mal posicionados, próteses inadequadas e uma mordida aberta ou então a alterações respiratórias e neuromusculares. "Além de desgastar os dentes - em casos extremos, há risco, inclusive, de perdê-los -, o bruxismo pode causar problemas nas articulações da face, responsáveis por zumbido no ouvido e dores de cabeça, faciais e na musculatura do pescoço", diz Groisman.
Quem tem o problema também tem grandes chances de perceber estalos e ruídos nas articulações e limitação na abertura da boca.
Dome o problema
"As placas oclusais são o método de controle mais conhecido e efetivo", afirma Gustavo Grothe Machado, diretor do Serviço de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. "Elas não impedem o bruxismo, mas minimizam seus efeitos." Traduzindo: ajudam a manter intacto o esmalte dos seus dentes e evita danos estruturais na boca.
Segundo o especialista, a mais recomendada é a acrílica (mais dura) - as versões moles só devem ser usadas para a prática esportiva -, e ela deve sofrer ajustes periódicos pelo dentista, já que sofre desgaste por causa da mudança na posição da mordida. "Além disso, podem ser necessários medicamentos, como relaxantes musculares, analgésicos e anti-inflamatórios, além de fisioterapia para a reabilitação das estruturas que tiverem sido lesadas".
Vale saber: a terapia psicológica, que ajuda a controlar o stress e a ansiedade, também é de grande valia.






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